Pesquisadores procuram por registros de câmeras para identificar rota de asteroide que caiu no Ceará

Autor: admin
Data: outubro 22, 2020

Registros podem auxiliar na localização do objeto que atingiu o Estado nas proximidades do Maciço de Baturité.

Pesquisadores da Rede Brasileira de Observações de Meteoros buscam registros de câmeras de segurança para identificar o local de colisão do asteroide que atingiu o Ceará no último dia 10. De acordo com a equipe, é possível que câmeras localizadas em um raio de 200 Km de Fortaleza tenham capturado a passagem do objeto celeste nos arredores do Maciço de Baturité.

Marcelo Zurita, diretor técnico da Rede Brasileira de Observações, conta que a organização também procura por filmagens do fenômeno no entorno do Maciço mas que a ajuda da população potencializa a investigação. Por isso, os registros podem ser enviados através das redes sociais, disponíveis no site do grupo.

“As pessoas pensam que é preciso estar próximo ao local para registrar. Mas é mais fácil para câmeras de segurança mais distantes conseguirem pegar a trajetória só por conta da elevação. Com isso, conseguimos calcular a trajetória e definir a área de dispersão”, indica o diretor.

As câmeras de segurança precisam estar dentro de um raio de 200 km de distância de Fortaleza, apontadas para uma direção específica. “Um único registro seria suficiente para calcular a trajetória. O horário para registro é por volta das 6h42 do dia 10 de outubro. De Fortaleza, as câmeras que estiverem na direção sudoeste para cima, filmando o céu, podem ter capturado. Mas é mais difícil”, conclui o pesquisador.

Existe uma diferença entre os fenômenos, esclarece o pesquisador. “O asteroide é um objeto celeste que orbita ao redor do sol. Quando ele passa pela atmosfera da Terra, gera um fenômeno luminoso que chamamos de meteoro. Quando alguns fragmentos atingem o solo, chamamos esses pedaços de meteoritos”, conclui.

Asteroide cai no Ceará e assusta moradores no Maciço do Baturité

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Meteoritos

Além da procura das filmagens, os pesquisadores também pede que a população do local da colisão esteja atenta a “pedras estranhas”. “Pode ser um meteorito. A princípio, eles estariam mais ou menos ao norte do Maciço de Baturité, aproximadamente a sudoeste de Fortaleza. A principal característica é que ele tem a parte externa escura e lisa. Geralmente não é brilhante. É liso e fosco”, adiciona o pesquisador.

Marcelo frisa que não é necessário expedições para localizar os fragmentos e pede que a população tenha cautela. “É mais uma coisa pra população local ficar atenta para pedras estranhas. Não temos o local exato da queda. Sem a trajetória, então, a busca pode ser muito trabalhosa e ineficaz”, reforça o diretor técnico.

Não há risco na manipulação do meteorito já que ele “não é radioativo”. No entanto, alguns cuidados devem ser seguidos para o armazenamento do achado. “O que a gente recomenda em situações como essa é manter os meteoritos longe da umidade. Eles sofrem corrosão devido a presença de água. Mas não tem qualquer risco para quem encontrar. Nem de doença nem de azar”, brinca.

Como identificar

  • Superfície lisa, fosca e escura. Por conta da alta temperatura a que esteve exposta, o objeto pode ter aspecto de “derretido”.
  • A partir interior do objeto aparenta ser formada por “bolinhas”, chamadas de côndrulos. Essa região é mais clara que a parte externa do meteorito.
  • Crostas com ângulos retos ou irregularidades não são características deste corpo celeste e, portanto, são descartadas para análise.
  • FONTE: G1